Ano VII

Wolverine: Imortal

quinta-feira ago 8, 2013

WOLVERINE: IMORTAL (The Wolverine, 2013), de James Mangold

Os filmes de super-heróis caíram em tamanha graça junto ao público, que raramente esse tipo de produção foge do lugar comum. O grosso dos filmes sempre segue a fórmula padronizada por Richard Donner em Superman – O Filme de 1978 – no caso de um filme contando a origem do personagem – e por Richard Lester em Superman 2 – A Aventura Continua de 1980, quando o assunto é o herói tentando resolver os problemas que uma vida dupla pode proporcionar.

Para não perder ou alienar o espectador, os estúdios de Hollywood sempre pensam duas ou mais vezes antes de mexer nas sagradas escrituras. Que o diga Ang Lee e seu Hulk (2000), uma das melhores adaptações de quadrinhos e que mesmo assim costuma ser amaldiçoado por grande parte da comunidade leitora de gibis. Isso tudo por trazer uma abordagem diferente daquela esperada. Também cansada dos velhos clichês, a crítica não-especializada (ou seja, a que não existe somente para acompanhar as últimas novidades da cultura pop e do mundo nerd) vem celebrando Wolverine: Imortal, mais novo exemplar da franquia dos mutantes da Fox, como um exemplo de blockbuster que foge das convenções. Exatamente porque ele se apegaria a outras, no caso aqui, aos filmes de ação japoneses com yakuzas e ninjas. Exageros à parte, a nova aventura de Wolverine tem seus momentos, mas não escapa do medíocre.

Desta vez o popular mutante de garras de metal indestrutível viaja ao Japão, reencontrar um ex-soldado da 2ª Guerra Mundial, que está à beira da morte. Wolverine recebe a oferta de se tornar um ser humano normal em troca de abrir mão de seu poder de regeneração – que seria dado ao velho moribundo. Voltamos ao terreno de repetição de muitos filmes do gênero, com o herói escolhendo deixar de ser um herói e se tornando uma pessoa normal. Mais tarde ele percebe que fez a escolha errada, se arrepende, corre atrás do prejuízo e volta a ser quem era no começo. Como visto em Superman 2 – A Aventura Continua e Homem-Aranha 2 (Sam Raimi, 2004) e vários outros. Ainda que Wolverine não chegue a escolher pela mortalidade, essa sua dúvida persiste por todo o filme. Nada de novo, portanto.

O diretor James Mangold sempre oscilou entre filmes insípidos e intragáveis, acertando em cheio com Cop Land (1997, que se beneficiou muito com uma grande atuação de Sylvester Stallone). Com Wolverine: Imortal, ele novamente brinca de especialista em cenas de ação sem conhecer o suficiente do ofício. Mesmo as cenas mais centradas em combate físico e menos nos efeitos especiais são confusas, com a câmera procurando a ação e nem sempre conseguindo. Se a mudança de ares se mostra refrescante, com Wolverine enfrentando bandidos com metralhadoras e espadas, o roteiro quase nada trabalha da cultura japonesa que seja proveitoso. Erra quem compara o filme com produções dignas como Operação Yakuza (Sidney Pollack, 1975) ou Chuva Negra (Ridley Scott, 1989). Falta ao filme a compreensão do ambiente à sua volta e das atitudes de seus personagens. O que acaba sobrando é Hugh Jackman com mais uma imitação satisfatória do famoso herói dos gibis, lutando contra um roteiro que a cada dez minutos soterra as boas ideias então presentes.

Leandro Cesar Caraça

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