Ano VII

Sua Alteza

segunda-feira mar 5, 2012

Sua Alteza (Your Highness, 2011), de David Gordon Green

E para aqueles que acreditavam que Segurando as Pontas havia representado um único – e gigantesco – desvio de rota na carreira de David Gordon Green, eis que surge Sua Alteza: uma farsa, cujas pretensões fazem com que sua comédia anterior beire o solene. Parodiando épicos medievais, o (até então) prestigiado diretor de George Washington faz, com O Senhor dos Anéis, o que Trovão Tropical havia feito com Apocalypse Now (e caso você se lembre da famosa frase de Mel Brooks – cujo A Louca! Louca História de Robin Hood vêm, repetidas vezes, à mente -, sobre uma peculiar propensão dos políticos… Já sabe onde quero chegar). Também, em comum com o filme de Ben Stiller, Danny McBride, aqui atuando como roteirista, produtor executivo e (dá-lhe Sr. McBride!) protagonista.

Ele interpreta Thadeous, o irmão desajustado de um príncipe heróico, Fabious (James Franco), de quem a noiva, Belladonna (Zooey Deschanel), havia sido raptada no dia de seu casamento. Juntos, saem numa expedição contra o maléfico Leezar, cujo plano sinistro implica em, no exato momento da junção das duas luas que iluminam os castelos desta terra distante, inseminar a adormecida donzela. Tal premissa resulta no inevitável e griffithiano salvamente de último instante, segundos antes da concretização da infame sessão da chamada “the fuckening”.

As piadas, invariavelmente, giram em torno de sexo e drogas (maconha, mais precisamente) e, caso você tenha achado alguma graça na descrição do enredo acima, provavelmente gostará da sessão, que também incluirá um minotauro excitado e um pervertido mestre à Yoda.

Fazendo um pastiche escancarado, Green não parece dar a mínima àqueles que enxergarão, em seu filme, apenas uma sucessão desmedida de mau gosto. No entanto, aos que se divertirem, resta aguardar por The Sitter, sua nova comédia, já devidamente escurraçada pela crítica oficial de seu país, mais preocupada em aclamar obras “sérias” e “contundentes”, feitas sob medida para essa época de premiações da indústria hollywoodiana. A elas, Sua Alteza surge como um bem-vindo antídoto (com Natalie Portman trajando um cinto de castidade fio-dental e tudo).

Bruno Cursini

© 2016 Revista Interlúdio - Todos os direitos reservados - contato@revistainterludio.com.br